Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador POESIAS DE SULLA FAGUNDES. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador POESIAS DE SULLA FAGUNDES. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de março de 2012



Para dizer que te amo

Te amo
Fui a cada canto do mundo,
do meu mundo...
A cada estação, a te procurar
Só pra dizer que te amo ...
Contei aos meus versos, triste
Contei a poesia, ela ouvia calada,
sentada na lua
Enfeitada de estrelas ... me deu
de presente, uma constelação
Escrito teu nome...so para eu
dizer, num semi verso,
Te amo
Com todos os versos, que possa
escrever,
Direi, te amo, na mais absoluta
poesia
Te amo, mais antes, que ontem
te amo na minhas manhãs ...
Te amo, como primeiro pensamento,
quando o dia principia

Sulla Fagundes

Colhendo tomates

Na  horta,   na hora
na minha hora
Se  um dia  estiveram verdes
não os vi .. dormi 
Colhendo tomates
pequenos,  para meu paladar

Quanto menores, mais enchem
as mãos
Enquanto plantava  tomates ...
Perdi as horas  ...
Devagar deito, olhando o tempo

Os tomates ficam lá  olhando... 
plantados  ... parecem namorados
de mim...
E da janela  os  vejo, mas não sei
contar o tempo dos  tomates
Apenas  os colho, quando lembro

Quando estou acordada,  para meus
lindos  tomates
atravesso  o pensamento, onde o tempo,
não sabe  me  contar ...nem deter 
Assim  como não sei contar  o tempo,
dos  tomates 
Estranhamente olho  o dia  inteiro

Quando me lembro... da horta,  e não
os vejo crescer, amadurecer
Quando esqueço como  uma criança,
de um brinquedo...
Lá  estão  meus  tomates,  os salvo
na  minha  gula  cega ...
Enquanto  calmamente, os degusto,  penso
que o tempo  dos  tomates  são mágicos
E...  o tempo  não se entende  ....  ele  passa
assim como  passo  a língua  nas  sementes
dos  meus  tomates  ..
O tempo  vingativo,  me  castiga  a  face  em
rugas  ... as quais   amo,  são presentes  da
vida ...  cada uma , vindo  de varias  estradas,
e estadias 
Sempre   colhendo  tomates  e  não os  conheço
apenas,  aprecio  o gosto

sulla fagundes  

Ninguém quer jogar

Vou tentar versar
Vou me lembrar
Vou costurar ...

Fazer minha colcha
entre meus remendos
Minhas linhas, tanto da
escrita, como do balaio
são confusas

Tenho linhas velhas ...
No rosto marcado ...
No balaio, de remendos
puídos ...
Minha colcha .. tem remendos
bobos feitos as pressas ...
Nas linhas .. verdades mentiras,
na escrita ...
Na colcha manchada ... repousa versos
costumeiros .. costurados
No balaio ... linhas escuras ao acaso ...

O poeta alfaiate ... espetado pelas agruras
procura confuso .. suas agulhas ...
Entre seus míseros farrapos ... versos a dedicar
rasgado .. rasgando a alma em poesia ...
Chora sobre a velha e intrigante mania
de tentar, sem magia, se salvar ...

sulla fagundes

terça-feira, 13 de março de 2012

JOÃO REZA POR CHUVA

Assanhada, Maria sai de casa
João na lida, na roça, sem água,
a terra sofre
Sem João, Maria enfeita o pecado
Como moinho de vento, assanha
José
João só na colheita, farta, pensa
Maria, enfeitada, no pecado se afoga

A terra sonhada de João, não molha
Maria molha a camisola, suando a cada
poro
Afogado nos poros dela, José esquece
João
Amigo, irmão dela vicia, joga um terço
sobre a cama
Deita Maria, a mercê do seus desejos
Ela a própria fúria profana, João a
repousar os olhos no horizonte, clama
por chuva,
A pensar no custo dos apetrechos e enfeites
de sua Maria.
Na dura lida, satisfaz José, no corpo ostentado
entre enfeites perfumados .. que lhe cansa os
braços e rezas por chuva
Em brasa, logo ali tão perto, queima Maria em
suores desejados, entre pernas, obtusas


sulla fagundes

POESIA DE SULLA FAGUNDES

 pomar
Minha tia uma mulher incrivelmente intrigante
Morava afastada de todos decidira a não compartilhar
sua vida
Escrevia contos, poesias ... era livre pensadora entre
quintais ..compartilhados com poucos
Eu ainda menina, a caminho da escola, passava para
ve-la, seus olhos brilhavam ... e eu astuta, como toda
menina levada, pedia lhe para comer frutas do pomar.
Assim poderia engana-la perdendo o horário das aulas
Ela no alto de sua perspicácia dizia:
_ Menina, está na hora vá, leve as frutas que preparei.


Seus olhos diziam tanto... diziam mais que as palavras
mais que os abraços, afagos ... suas risadas entre cocegas
.. eram infantis ...Numa daquelas tarde perdi o horário ... ou
nos perdemos, como queríamos Colhemos frutas numa cesta
mágica, e delas fizemos um banquete ...ela entre caquis, peras
quiuis. Ela gostava de espreme-los sobre a maçã e lambia o nec
tar com delicadeza.Eram assim muitas de nossas tardes, deita-
das na rede da varanda, eu adorava ve-la sobre a maçã tão fa
minta saciando sua fome.
Numa tarde, minha tia foi buscar-me na escola.Tal minha ale-
gria com sua chegada mas enfureceu-se ao ver-me a conversar
balelas entre amigas e um rapaz a olhar-me
Aproximou-se, minha tia, e disse firme:
_ Vamos, seu pai a espera, já se faz tarde...
fomos e como sempre ... pegamos as frutas
porém neste dia fartava-se com ira ... louca
numa só mordida, esmagou os caquis quiuis
sobre a maçã amada, como fera ...Naquele dia,
sem frutas, ela manifestara sua fome numa
quimera . Esperança irrealizável de desejos ...
Desde então, jamais a vi ao longo de minha
vida ...
Ontem num súbito arrepio ao ve-la passar na
calçada... desejei tanto encontra-la um dia ...
Num pomar de lençóis nem que fosse, apenas,
uma de minha saudades, a qual pudesse matar


(sulla fagundes)
SEM NOME 

Alguém perde a identidade 
Lendo-se nas linhas do outro 
Identifica-se tanto, que as dedilha
Num tema bom de versar ....
Amor, como diz o poeta ... fonte
inesgotável de inspiração

Na falta dele .. quem sabe a raiz....
Do dedilhar... assinando um nome
o próprio, sem se importar ...
Com as pedradas que levará ...
Pateticamente ... não esconde 
Patológico? seria ....
tomar para si a obra adulta....

Sem se importar quem a pariu ..
O orgasmo poético de tal momento ...
Onde estava o poeta .. e em que 
tempo...
Sequer, o parir da emoção, regada
.... a sensibilidades em cólicas ...
Vem, lança mão , estupra a obra...
e a envaidece
Ela a bela.... a poesia, cabe o riscado
final 
Segue absoluta .. inatingível, guardada 
tatuada ... na alma do velho poeta 



sulla Fagundes

CARNAVAIS

Carnavais, puro, inferno
Cada quarta-feira em brasa 
Labaredas, sob cinzas, ardendo
Traz as marchas, sussurradas 

Complicada arte de brincar 
Alucinada pelos confetes 
Colombina ao inverso 
Purpurina, lança ao deitar-se 

Silhueta, ainda, desejada 
Meninos, tolos, encantados 
Mascarada... melindrosa em riso
e prosa
Sedução, sem relação, afetiva


Mulher, madura, na trilha 
No rumo dos lençóis que escolhe
Uma noite, apenas ela, testemunha
a aurora 
O quanto essa mulher é capaz 
Desenhando seu corpo em suores fatais 

sulla fagundes

CARNAVAIS

Carnavais, puro, inferno
Cada quarta-feira em brasa 
Labaredas, sob cinzas, ardendo
Traz as marchas, sussurradas 

Complicada arte de brincar 
Alucinada pelos confetes 
Colombina ao inverso 
Purpurina, lança ao deitar-se 

Silhueta, ainda, desejada 
Meninos, tolos, encantados 
Mascarada... melindrosa em riso
e prosa
Sedução, sem relação, afetiva


Mulher, madura, na trilha 
No rumo dos lençóis que escolhe
Uma noite, apenas ela, testemunha
a aurora 
O quanto essa mulher é capaz 
Desenhando seu corpo em suores fatais 

sulla fagundes

E AGORA

Sem travessuras, veja aurora
Sem meandros esquisitos, vá
mesmo entorpecida 
Pode partir, lá fora há mais
amarguras

Veja a tua cara, sem cura
Há sombra a espreita, seja
eleita
Sinta as sombras nas moitas

Tanta estrada conhecida, há
cruzes as quias sinalizam
A cada mudança de sentimento
Procure o tempo, para uma conversa
ou o aceite, os meandros

Faça a mágica festa, da partida, risos
na chegada 
Tropeço, esperado, a dois pés esquerdos
Caminhar direito mesmo assim, alinhada
Seja mais que as batidas do pulso 
Num impulso, faça o que há de te enganar

Vá lá fora, escolha as roupas, penduradas na
corda
Encha o baú de esquecimentos, fica mais leve
de carregar
Prenda os cabelos, para chorar sem molhar a
franja 
Ensope a lapela, do novo namorado e vá devagar
Embora seja fatal, que a condução da vida, traga
um novo momento, que comparado, deixa sedento,
desforme, a bagagem deixada, que é certo lembrar,
ter esquecido o agasalho

sulla Fagundes

CONDENADOS

Fadados a falar do tema
Sem conhecimento ou teor
Sem calma, o relato sem alma,
Segue embaralhado, com coringas
a mais nas mangas
Tais cartas as quais lhes salvam

Tolhidos, os pobres coitados
Decorando nas urgencias, o
sentimento mais antigo
Contorcidos, secos, os céticos
Numa tortura perturbada, sem
cuidado, repetem-se

E... jamais companheiro terem
sido
Confusão das paixões levianas
Fundem-se, em flertes fatais, e
conquistas
Na razão, e no rumo, eremita

Contra mão, sem correção, do que
não sente
A razão plena, iguaria, da poesia
O amor, não se faz fonte de sua
escrita

Meio morbido, entre paixões, arrastado
segue o poeta, aleijado num vão
escondido
Sem nunca ter amado, oco e vazio

sulla fagundes

INFIÉIS CERTEZAS

Somente um último instante
Um breve silêncio, anunciava
Que meu mundo havia acabado
Surreal instinto,realidade la fora

Uma arruaça de babados e fitas
Detalhes, trancados nos versos ..
Era hora de morrer, na rede deitada
Meu mundo reduzido, corria a deriva
ao acaso
Sentidos perdendo a razão, a loucura
passeando, tentando se aboletar

Era a a hora de calar ou gritar e cegar
,confusos, pensamentos...
O inferno se instalando, os demônios ...
uivando
Entre anjos aposentados, pegos de
surpresa
Acabaram-se, enfim,todas as infiéis
certezas

sulla Fagundes

PAIXÃO

Chegue arrebentado, estou a espera
Pretendo obedecer-te, como doce geuixa
Mas revolva me, eleve inteira, serpente
Enrole com fúria, toda minha candura

Venha na plena onisciência, que perdura
Não avise, sequer,num olhar ou bilhete
Me enlouqueça a criatura em divindades
Seja meu maior instante, impulsiva lisura

Como fogo, me consuma,como enfermidade
Seja breve em sua chegada, deite preguiçosa
Traga bagagens o suficiente, muda se molde

Faço versos, miraculosos, a tua espera vinhedo
Não traga saudades, nas bagagens, minuciosa
Traga um fardo de carinhos, num propósito pulsado

sulla Fagundes